quarta-feira, 21 de julho de 2010

Akita: Estilo Cada Vez Mais Oriental

Akita, símbolo nacional nipônico, há muito é admirado no mundo por suas qualidades. Saiba por que trabalha-se para deixá-lo mais oriental.

Entre os cães árticos - aqueles que vêm das regiões frias e têm pelagem densa, orelhas pequenas e cauda espessa enrolada ou caída sobre a garupa -, o Akita é o que mais se destacou no Brasil como guardião. Tem admiradores em toda a parte por seu temperamento alerta e reservado com estranhos, silencioso, discreto e agressivo quando necessário. É também companheiro sensível, inteligente e devotado a família.

Seus ancestrais de tipo "spitz" (de focinho afilado e aspecto físico que lembra a raposa) vieram da Coréia, Sibéria e China há mais de 2 mil anos. Desde lá, foram feitos cruzamentos, inclusive para adequá-lo às atividades exercidas conforme a época e a região, tornando-o o cão de maior porte do Japão. Foi caçador de javalis e ursos, guarda de grandes propriedades e lutador em rinhas com outros cães. Sabe-se que cruzou com molossos, a partir de 1900, para adquirir maior robustez e potência de mordedura. Seu temperamento foi moldado ao gosto do povo e da cultura japonesa. Tornou-se, assim, uma de suas tradições, muito querido, símbolo de boa-sorte, conhecido como o cão dos Samurais.

No início deste século, os japoneses interessaram-se em recuperar a pureza de suas raças caninas. Em 1931, encontraram exemplares satisfatórios deste cão de porte grande na região de Akita, vindo daí seu atual nome. Um ano após, o Akita foi elevado a "Monumento Nacional" e, em 1934, teve seu primeiro padrão oficial, com a fundação do Akita Ken Hozonkai (Associação de Preservação da raça Akita), passando a ser criado nos moldes da moderna cinofilia.

Durante a 2ª Guerra, o trabalho teve que ser interrompido. Muitos cães foram eliminados e, dos poucos Akitas que restaram, a maioria mesclou-se novamente, inclusive com Pastores Alemães usados pelos militares, apresentando características atípicas, como máscara negra, pelagem com grandes manchas, corpo comprido, orelha grande e em pé. Desde lá, trabalhou-se para retornar à antiga expressão da raça, acrescentar agilidade e elegância à sua robustez e eliminar as cores não típicas. O Japan Kennel Club alterou, há alguns anos, o padrão oficial, que foi repassado ao Brasil e demais países filiados à FCI-Federação Cinológica lnternacional, em 1991. Nele, a pelagem longa é falta grave desqualificante, a máscara negra falta simples e as marcações de pelagem sobre fundo branco são apenas toleradas, preferindo-se sua ausência.

Deste trabalho surgiu uma minoria de exemplares leves demais, com o focinho mais longo e afilado ou pelagem longa ou curta demais e menos densa. Corrigir isso é o atual desafio dos criadores criteriosos.

No mundo, quem mais criou Akitas no ano passado foram os Estados Unidos, com 11.574 exemplares registrados em 1993 (o Japão veio em seguida com cerca de 10.000 exemplares). Eles chegaram aos EUA após a guerra, levados inclusive por soldados que dela retomavam. Eram Akitas com características típicas daquela época, mantidas até hoje e reforçadas pelos americanos, a ponto de estarem muito diferentes dos japoneses.

O porte, descrito por ambos os padrões como grande e bem balanceado, é mais alto e robusto pelo AKC-American Kennel Club que determina altura de 71 cm e desqualifica se tiver menos de 64 cm, contra os 67 cm da FCI que permite 3 cm a mais ou a menos. Ainda, o AKC é mais rígido desqualificando tamanhos abaixo do padrão e considerando falta grave os magros ou com ossaturas leves. Este tipo de penalização não existe pela FCI.

Boa parte da criação americana tem máscara preta, apreciada por dar uma aparência intimidatória. Os malhados, em baixa no Japão, são os preferidos pelos americanos (grandes manchas uniformemente distribuídas sobre fundo branco, cobrindo a cabeça e mais de um terço do corpo, define o AKC). A maioria dos Akitas japoneses são vermelhos. Nos EUA são minoria.

Porém, se por um lado os americanos tem físico mais poderoso, por outro perdem em temperamento de guarda. "Não recomendo o Akita para a guarda", diz Susan L. Duncan, vice-presidente do Akita Club of America. A criadora americana Linda Wilvaington do Daikoku Akitas Kennel de Columbia-KY, que cria ambos os tipos, compara: "o japonês é excelente guardião, percebe imediatamente uma tentativa de agressão e impede-a. O americano perdeu em parte a habilidade para o trabalho, ficou mais frouxo. Há os bons para a guarda, os agressivos demais e os excessivamente mansos. A linhagem japonesa aprende mais rápido, é mais ágil e apesar de sua estrutura menor e dos machos serem menos másculos, gosto da sua agilidade, da firmeza, da aparência e da cara mais amigável e sorridente. Considero que o tipo físico e o temperamento devem ser a prioridade do criador e que a questão das cores é secundária. Apesar da máscara preta e do malhado serem sinais de impureza, acho-as bonitas e nem são falta desqualificante".

A maioria dos criadores está satisfeita com o padrão atual. "Na Itália, onde julguei há pouco, só existem Akitas japoneses e, na última exposição mundial de Berna, Suíça, prevalecia o tipo japonês sem máscara nem malhado. Eram bonitos e de bom porte", relata Anita Soares, vice-presidente do Clube Paulista do Akita, juíza e criadora pelo Canil Antique's Place de São Paulo-SP.

Há quem prefira o Akita criado há alguns anos. "Quando comecei com o Akita em 1983, escolhi a linhagem japonesa. Agora, acho que a altura e a robustez diminuíram. Vejo exemplares peludos e sei de outros barulhentos ou medrosos. Hoje, o Akita americano me parece mais adaptado ao que o padrão exige", opina Gervásio Lourenço Jr. do White Feet Kennel, São Paulo-SP.

Assegurando não ter observado redução no porte na raça, Sebastião Alves de Souza, do Akihushi Ber Kennel, de Fortaleza-CE comenta que "o Akita deve ter porte respeitável. Para mim o americano é grande demais". Beth Uebe e Luiz Antonio Castino, do Daphine Star Kennel de Belo Horizonte-MG, criadores da linhagem japonesa há anos confirmam que o Akita é silencioso e que seu instinto de guarda continua apurado. Tanto que Beth completa "no prédio em que moramos me chamam de "criadora dos cães mudos". Takayoshi Ogata, criador há 7 anos pelo Aso Kohgen Kennel, de Salvador-BA, não tem observado alterações no temperamento da raça. "Acho necessário sangue novo no plantel nacional para melhorá-lo ainda mais. Mas o Akita continua um cão de um dono só, guarda eficiente e equilibrado, que adora as crianças".

Resumindo, o presidente do Clube Paulista do Akita, Kishiro Maki, juiz e proprietário do Canil Shirakaba de São Paulo-SP, que vem trabalhando para divulgar a tipicidade da raça, explica que "pelo novo padrão, o Akita deve ser de porte grande, vigorosamente constituído, bem balanceado, com muita substância e robusto. A altura não mudou. Deve ser leal, dócil e receptivo, mas sempre alerta, mesmo que não o demonstre, e só deve latir em casos extremos. Não pode permitir que um estranho o toque sem autorização e atacará imediatamente um agressor. Pêlos longos são falta desqualificante. Os problemas citados anteriormente são minoria e os criadores estão atentos para superá-los".

Akita: Um Jeito Único de Fazer a Guarda

O Akita é uma alternativa eficaz na guarda de qualquer tipo de ambiente. Desconfiado e muito tranqüilo, segundo os criadores ele pode até ser criado em pequenos espaços com sucesso.
Devido ao crescimento vertiginoso da violência, a presença de um cão de guarda é um alívio. Ainda mais se este cão for um Akita, uma raça que, além de limpa e asseada, é ainda discreta e silenciosa.

Provavelmente em virtude dessas características, ele é criado em grandes e pequenos espaços, comportando-se satisfatoriamente até mesmo em apartamentos, pois conquista a simpatia até dos vizinhos.

A raça costuma latir apenas quando pressente algo suspeito. Sua maneira silenciosa é oriunda da cultura nipônica. No Japão (país de origem da raça) antigo as casas eram feitas de madeira e finas folhas de papel de arroz. Assim, qualquer ruído era compartilhado pela vizinhança. Nesse sentido, era fundamental que os animais fizessem pouco barulho para não incomodar os vizinhos. Apreciadores dessa forma silenciosa, os japoneses selecionaram os cães menos barulhentos para aprimorar a raça. A criadora Maria Luiza da Silva Ferrari, do Mara's Kennel (Barretos-SP), conta que teve uma cadela, Bruna, que nunca latiu durante os 8 anos em que viveu. Até os últimos minutos de sua vida, quando sentia fortes dores, Bruna permaneceu calada.

A criadora Maria Elizabeth Dutra Uebe, do Daphine Star Kennel (Belo Horizonte-MG), que cria três Akitas em seu apartamento, diz que seus cães não lhe dão trabalho nem incomodam as pessoas. Ela nunca recebeu uma reclamação. Os vizinhos gostam muito deles. Certa ocasião, um ladrão assaltou um dos apartamentos do prédio de Beth. A notícia se espalhou rapidamente. Curiosamente, antes de Beth saber o que acontecera, sua cadela Daphine já estava fazendo a guarda na porta do apartamento, de modo que não deixava ninguém entrar. Daphine pressentira algo errado no ar. Naquele dia, a cadela acabou ajudando a polícia a seguir a pista do invasor.

Outra herança da cultura oriental é o temperamento reservado. "O Akita dificilmente faz amizade com qualquer pessoa. Mas, depois que seu coração for conquistado, torna-se um amigo para sempre", afirma Maria Luiza. A raça é muito desconfiada com estranhos. Um Akita só recebe bem uma pessoa se seu dono for cordial com ela. Normalmente, demora a se acostumar com desconhecidos. Assim, a aquisição de um exemplar adulto, geralmente, causa alguns problemas. Até o cão aceitar o novo dono, assumirá uma postura distante e fria, sem grandes demonstrações de afeto.

Essa reserva se mantém intacta até mesmo diante de situações em que o instinto prevaleceria. O criador Washington Jorge Parente de Oliveira, do Brasil Akita-Ken (São José dos Campos - SP), conta que, certa ocasião, levou seu cão, Butch, para passear no centro comercial da cidade. Lá uma moça ficou encantada com o cão e não tirou mais os olhos dele. O cão também a observava. Foi daí que ela resolveu dar um pedaço de carne do seu espetinho. E não é que Butch esnobou a oferta e continuou a encará-la! A moça ficou ofendida.

Como todo cão de guarda, o Akita não gosta de estranhos. Ele só os respeita quando estão na companhia de seus donos. Mesmo quando a pessoa lhe é apresentada, o Akita não se tornará seu amigo. A raça não aceita a presença de estranhos em seu território quando o dono está ausente.

Washington afirma que seus cães não gostam de afagos de estranhos, mesmo que sejam amigos seus. Quando isso ocorre, o Akita fecha os olhos em forma de fenda, abaixa as orelhas e o rabo e olha para o dono como se estivesse querendo dizer que não está gostando.

Já com as crianças, seu temperamento é mais brando. Mesmo assim não permite a presença delas em seu território na ausência das pessoas com quem convive e nem gosta que abusem da sua paciência. Solange Brandão Frota, do Canil do Vale Caledônia (Nova Friburgo-RJ) diz que, quando seus filhos estão com os amigos brincando com espadas de plástico, seus cães ficam alertas para se certificar de que não serão machucados. Quando uma criança dá uma espadada na cabeça de um dos filhos da criadora, os cães começam a rosnar. Querem dizer que já está na hora de acabar com a brincadeira.

Mesmo quando filhotes, estes cães são reservados com os desconhecidos. A raça muito cedo já demonstra suas habilidades na guarda. Maria Raquel Malevicz de Vasquez, do Glen Suilag Kennel (Piracicaba-SP), conta que deu um filhote de presente para sua prima, pois seu sítio fora assaltado muitas vezes. Um dia, o cãozinho começou a latir insistentemente. Quando a moça foi verificar, encontrou um rapaz tentando roubar o caminhão de seu pai. Logo que o indivíduo se deparou com o Akita (na época com 7 meses), começou a correr. O cão estava furioso e partira para o ataque.

Amigo do sossego, o Akita não gosta de ser perturbado nem de perturbar. Quando não quer conversa, dá um alerta com um rosnado baixinho. Muito equilibrado, não ataca pessoas ou animais a troco de nada. "Apesar de bravos, os Akitas são cães de boa natureza. Jamais atacam por trás ou sem avisar. Um dia meu Poodle estava amolando um de meus cães, que o advertiu prensando-o com o focinho no chão. Se não tivesse caráter talvez o mataria com apenas uma dentada", conta Maria Raquel.

A extrema fidelidade aos donos aliada à inegável coragem faz com que a raça seja associada à figura do Samurai - guerreiro que servia a um só senhor e por este não hesitava em dar sua própria vida. Esse cão protege seu dono e seu território por amor. Quando há um estranho por perto, ele se coloca imediatamente de prontidão na guarda. Fica observando cada movimento da pessoa, não desviando a atenção por um segundo. Se pressente algo suspeito, dá um latido rouco e baixo, em sinal de advertência. É como se impusesse um limite, o qual não deve ser ultrapassado. Caso a pessoa desrespeite esse limite, ele começa a espumar pela boca, eriça os pêlos e se arma para o ataque.

Durante o trabalho de guarda, o Akita não dorme em serviço. Trabalha essencialmente com a audição e visão. É capaz de detectar a presença de um estranho a muitos metros de distância. Se alguém invade seu território, não sossega enquanto não avisar seu dono, fazendo-o de modo discreto. Graças a esta maneira quieta e eficaz na abordagem de estranhos, existem vários casos em que os assaltantes foram pegos desprevenidos por um Akita, pois não sabiam que havia um cão por perto.

Akita, Símbolo da Saúde e Felicidade

Para os japoneses, ele é o símbolo da saúde e felicidade. Criado como cão de caça nas montanhas do norte do Japão, foi também usado como animal de combate até o século passado, quando as lutas entre cães foram proibidas no Japão. Durante a II Guerra Mundial a raça quase desapareceu por completo pois o governo japonês mandou matar todos os animais que não eram utilizados pelo Exército. Somente os pastores alemães foram poupados e alguns exemplares de Akita, que os donos os esconderam. Foi só em 1960, depois de anos de trabalho árduo é que a raça, finalmente, foi recuperada. O primeiro Akita chegou ao Brasil em 1970 e nos últimos cinco anos a CBKC registrou o nascimento de muitos filhotes.
No momento, a raça Akita está sendo muito questionada no Brasil. As opiniões são muito diversificadas sobre como deve ser o tipo do Akita, e com isso creio que vamos acabar tendo o Akita Brasileiro, já que existe o Japonês e o Americano.

Toda pessoa que resolveu comprar e criar um Akita, já leu alguma coisa sobre a raça e tomou conhecimento de um pouco da historia desta, escolhida para ser o melhor companheiro. Em troca pelo que recebemos das qualidades que ela nos presenteia, nos sentimos muito envolvidos, e cada vez mais cresce o desejo de aprimorar os nossos conhecimentos para com ela.

Akita tem sua origem no Japão, quando um nobre foi exilado para o distrito de Akita, província que se localiza ao norte da ilha de Honshu, no século XVII. Grande interessado em cães, estimulou a criação local. Com gerações de acasalamentos seletivos, a raça evoluiu para esse cão de estrutura e talhe incomuns, grande caçador e guarda. Nos séculos seguintes a raça passou por momentos de apogeu alternados com fase de quase extinção. Em 1927 foi fundada a Sociedade Akitainu Hozankai, destinada a preservar sua pureza. Em 1931, o governo classificou-a como monumento nacional e um dos tesouros do Japão. De fato, é tão importante para o país, que o governo se encarrega da manutenção de um campeão Akita quando seu proprietário não pode fizê-lo.

Criado como um versátil cão de caça nas montanhas ao norte do Japão, o Akita foi amplamente utilizado nesse trabalho, tanto na perseguição da presa como para trazê-Ia à mão. Desse modo, suas habilidades no esporte incluem resistência, visão acurada e faro, silêncio e velocidade aliados a um corpo e estrutura altamente resistente.

Existe um significado espiritual ligado à raça. No Japão os Akitas sempre foram encarados como companheiros leais, protetores do lar e símbolo de saúde. Quando uma criança nasce, a família geralmente ganha uma estatueta simbolizando o Akita, como garantia de saúde, felicidade e longa vida. Da mesma forma, quando uma pessoa adoece, os amigos lhe oferecem uma outra estatueta, como expressão do desejo de pronta recuperação.

Akita de hoje é descendente, em tamanho maior, dos antigos cães japoneses que aparecem em antigas gravuras: as orelhas eretas e a cauda curva acima do dorso são inconfundíveis.

Combinando dignidade com boa natureza, coragem alerta com docilidade, esta raça se caracteriza pela fidelidade aos membros da família e amigos: sabe bem defender os seus contra qualquer ameaça estranha.

O SEU COMPORTAMENTO
Apenas a partir dos três meses é possível observar algumas características no filhote (como por exemplo, a sua desinibição ou timidez). Nesta fase, ele já começa a latir para estranhos e se mostra calmo com os adultos. É muito fiel e carinhoso, mas bastante reservado. Cão de um só dono, se apega a todos da casa, apresentando, porém, uma leve prediIeção por uma determinada pessoa, para a qual se dirige com mais freqüência. Gosta muito de crianças e sabe lidar com elas, dosando sua força. Quando se cansa das brincadeiras, retira-se calmamente.

Como o Akita tem uma dificuldade natural em aceitar imposições de estranhos -um adestrador, por exemplo- é melhor ensiná-lo em casa. Só o treinamento para exposições deve ser feito por especialistas e iniciado cedo a partir de 4 ou 5 meses para que o animal se acostume com o professor. E, se este não conseguir ganhar a sua confiança, ele não o aceitará e, conseqüentemente, não o obedecerá.

EVOLUÇÃO
Para melhor conhecimento da raça, á necessário saber um pouco de sua história. Em 1868, houve uma revolução no Japão quando ocorre o término do Governo de Shogum Topogawa, com a restauração do Império Japonês, dando início a "Era Meide". Até este período, o país passava por um isolamento internacional, cujo controle impedia as entradas e saídas de pessoas, e também importação e exportação de mercadorias e informações, sendo que o mal cumprimento dessas exigências, acarretava na pena de morte. Desta forma, a entrada de cães ocidentais era proibida. Nesta época, o povo da região de Akita, apreciava o "esporte" de briga de cães, e os considerados bons, eram aqueles que saíam vitoriosos na rinha. Ainda nesta época, não estava estabelecido nenhum padrão do cão, entretanto após o término do isolamento, o povo passou a misturar o cão original com várias raças ocidentais, principalmente com molossos. Contudo, todas as características de molossos são indesejadas hoje na raça Akita. Na época da Segunda Guerra Mundial, o governo militar proibiu a criação de cães no país, influenciados pelos seus aliados alemães, eliminando todos os exemplares exceto os da raça Pastor Alemão existentes no país, isto porque esses eram utilizados nos trabalhos do exército. Ao término da Guerra, haviam poucos exemplares da raça Akita e iniciou-se a sua mistura com o Pastor Alemão.

Quaisquer características desta última, tais como orelhas excessivamente na vertical, grandes, e distância muito estreita entre elas; crânio sem forma triangular, afetaram suas formas originais, e é considerado hoje um tipo antigo para os japoneses.

Nos tiltimos 40 anos, os japoneses vêm trabalhando no sentido de tornar a raça mais pura possível, resgatando as características típicas anteriores.

Uma das determinações do Governo Japonês, estabelecendo uma Iei de 1918, que conseguiu se manter incólume, protegia as reservas biológicas nacionais, paradoxando às acoes inibidoras da criação e que alteravam o "padrão" da raça. Esta lei também protegia os cães de origem japonesas, acarretando, contra todos os impedimentos, a criação da Nippon Kenkos Okai, em 1928, entidade que protegia a raça Akita, então se estabelecendo o 1º padrão para cães da raça nipônica. Foi o único padrão nipônico diferenciado apenas pelo tamanho do animal: grande, médio, pequeno. Em 1931, foi descoberto o primeiro exemplar canino de porte maior, através da investigação do Dr. Seiquild Siburagui, na província de Akita, e foi considerado espécie que requereu proteção para preservação.

Em 1934, foi criada a Akita Inohos Okai, Associação de preservação da raça Akita, na cidade de Odapuwa, na província de Akita. Esta Associação é comumente chamada de Akiho e assim estabeleceu o padrão da raça Akita.

O padrão da raça do Japan Kennel Club corresponde à este padrão. Em 1948, foi criado o Akita Inu Jokai, uma Associação da raça na cidade de Tokio, comumente chamada de Akio, que finalmente determinou o padrão.

Akita - Bem mais do que um cão de guarda...

Cão de guarda sim, contudo com comportamento e temperamento bem diferenciado das outras raças que desempenham a mesma função. Tanto é verdade que o Akita Inu pode ser criado até em apartamentos e quanto às crianças, não há razão para se preocupar: esses cães são muito dóceis. Além disso, são calmos e não latem muito. A aparência semelhante a de um lobo também é um ponto forte da beleza do Akita.

Foram essas características e mais o fato de ser um cão de origem oriental que motivaram Gervásio Lourenço Júnior, proprietário do canil White Feet, a escolher esta raça há 18 anos. O Akita é de nacionalidade japonesa, sendo inclusive reconhecido neste país como patrimônio nacional.

O preço do filhote chega a variar de R$1.000,00 a R$2.500,00 e os cuidados são os mesmos dispensados às outras raças. É um cão rústico que pode ser cuidado facilmente. Somente os pêlos merecem uma atenção maior: uma escovação diária, que dura em média apenas cinco minutos. Outra vantagem: "O Akita só come o que precisa", conta Gervásio. Assim, quando os donos viajam por alguns dias é só deixar a comida equivalente a este período, pois o animal não comerá tudo de uma vez, complementa.

Único alerta: esta raça não aceita conviver em grupo, ressalva o criador. De preferência, procure ter um casal ou só um cão. É praticamente impossível criar dois Akitas do mesmo sexo ou com outra raça, mas existem algumas exceções. A explicação deste fato está ligada à memória primordial do cachorro, que é passada dos pais para os filhos. O Akita chegou a participar de lutas de cães no Japão, até que o governo proibiu e passou a proteger esta raça por lei. Contudo, permanecem em alguns cachorros as marcas desta época.

Entretanto, o Akita não serviu apenas para as lamentáveis rinhas. Como é um excelente caçador, foi utilizado na antiguidade pelos guerreiros para as caças grossas. Além de servirem também como cães de combate, devido à sua constituição robusta e pela sua coragem.

Já no que diz respeito a comportamento e temperamento, as principais características podem ser melhor visualizadas no modo como o Akita faz a guarda da casa. Diferente das outras raças, o Akita não fica junto ao portão latindo para qualquer pessoa que passa. Normalmente ele fica perto da casa, que dá a referência de proximidade ao dono, e somente se aproxima quando a pessoa coloca as mãos no portão. Então vai verificar o que está acontecendo, mas sem fazer escândalos e ruídos. Não é um cachorro estabanado, e sim tranqüilo, quieto e muito leal ao dono o que não obriga sua criação em espaços amplos, apesar de seu porte grande.

Seu lema é o silêncio

Akita: Seu lema é o silêncio


Saiba mais sobre a situação da raça Akita no mundo

Entre os mais conhecidos cães usados para a guarda, pode-se afirmar que o Akita é o de atuação mais discreta e silenciosa. Tanto que é comum vizinhos se surpreenderem ao descobrir que "naquela tranquila casa ao lado" há, de fato, um cachorro. O Akita só dá o alarme em caso extremo e, mesmo assim, emite poucos latidos, curtos e roucos. Não faz estardalhaço para agir. Além de quase não latir, se move na calada e fica na espreita, como se analisasse qual é o momento para dar o sinal. Se, enfim, late, o susto é para valer, pois pega o intruso totalmente desprevenido. Caso este já tenha invadido o seu território, é provável que não haja tempo para se defender.

Anita Soares, vice-presidente do Clube Paulista do Akita e criadora pelo Antique's Place Kennel, de São PauIo, SP, conta que se há movimento perto do portão, o seu Akita faz um verdadeiro ritual: olha para a direção do barulho, levanta devagar, como se não quisesse ser percebido, pára diante do portão, fareja o ar e fica estático em atenção. "Na maioria das vezes, não emite um som. Mas se o fizer é certo: encostaram na casa ou no carro que fica na frente", completa.

Outra característica, que impõe respeito, é o olhar penetrante e fixo, que parece buscar a "alma das pessoas". Gervásio Lourenço Júnior, do White Feet Kennel, de São Paulo, SP, recorda de várias situações em que alguém ao ver seu cão comentou sobre o "olhar bravo". Os olhos puxados, cujo contorno preto parece delineado por um pincel, colaboram para esse olhar impressionante. Soraya de C. Guedes, do Koyuki Kennel, de São Paulo, SP, concorda: "na rua, outros cães tentam, empolgados, chegar perto dos meus, mas basta que os olhares se cruzem para que simplesmente recuem".

Voltado para o dono, o Akita Capta as suas emoções, o que se reflete na companhia e na guarda. Desconfiado, é raro que fique "chegado" mesmo aos amigos do dono. "Ele os aceita, se estivermos juntos, mas fica atento e não os festeja", diz Takayoshi Ogata, do Aso Kohgen Kennel, de SaIvador, BA.

No Brasil, o estilo sossegado do Akita conquista cada vez mais admiradores, pois, entre outras qualidades, ele se adapta bem a espaços pequenos e não incomoda a vizinhança. De 1985 até hoje, a raça quadruplicou em quantidade, saindo dos 500 cães para mais de dois mil.Por ser utilizado na guarda, o tamanho aliado à massa física é um ponto importante. Afinal, quanto menos poderoso for o cão, menos intimida.Hoje, no Brasil, 80% dos Akitas são registrados pela CBKC - Confederação Brasileira de Cinofilia e a maioria está menor que o desejado. O padrão do FCI - Federação Cinológica Internacional, seguida pela CBKC, determina uma altura Ideal de 67 cm e tolera 3 cm a mais ou a menos."Grande parte dos cães está no limite mínimo, com cerco de 64 cm", observa Anita. "Estamos conscientes e decididos a trabalhar pelo ideal."

Alexandre Kobayashi, do Canil Hunter's Place, de Oriente, SP, acrescenta que muitos não chegam sequer ao mínimo Gervásio conta que, como seus cães tem a altura ideal de 67 cm, quando vão a exposições parecem gigantes frente aos demais. "É incrível como poucos centímetros multiplicam o efeito visual de poder físico", conclui.
Provavelmente, o motivo do domínio dos pequenos no País foram as importações. "Os cães que vieram de fora, nos últimos anos, eram pequenos e influenciaram a criação", diz Anita. O problema de criar, tendo por base os pequenos, é o risco em diminuir a raça cada vez mais. Mas vale uma ressalva: não se deve pensar, em contrapartida, que quanto maior for o cão, melhor. Haja visto que a altura ideal no padrão não é a máxima permitida. "Os Matagui-Inus, ancestrais do Akita que não eram muito grandes, são a base da tipicidade da raça hoje", diz Kishiro Maki, presidente do Clube Paulista do Akita e criador pelo Canil Shirakaba, de São Paulo, SP. "Por isso, em tamanhos superiores ao ideal, há mais chances de perder as proporções corretas."

As informações de outros países demonstram que, quanto ao tamanho, a raça vai muito bem. Monique Bartolozzi, presidente do Clube dos Cães Nórdicos da França, que controla os cães quando completam um ano de idade, confirma que os principais reprodutores tem altura aproximada de 67 cm. No Itália, Alemanha, Suíça, Portugal e no próp rio Japão também predomina essa medida. Anita, que é juíza internacional, afirma: "Iá fora o problema não existe".

Nos EUA, os cães são maiores e a maioria dos exemplares de destaque mede entre 67 e 69 cm, como conta a criadora americana Linda Wilvaington. Mas, isso é porque há uma série de diferenças entre os Akitas de linhagem americana e os de linhagem japonesa, sendo a altura uma delas. Mesmo maiores, os cães americanos são bem proporcionados, pois carregam a influência de raças como o Pastor Alemão e vários Molossos. Já os japoneses trabaIham para eliminar tal influência. Aqui, a ACB - Associação Cinológica do Brasil, que registra 20 % dos Akitas, se baseia no padrão americano e por isso os exemplares não são pequenos, já que descendem, na sua maioria, da criação dos EUA. Estes cães podem até ajudar a aumentar o tamanho dos outros, mas devese ter cuidado: podem transmitir características só aceitas pelo padrão americano e não pelo da FCI, como por exemplo a máscara negra.

No padrão japonês de 1992, que a FCI segue por ser o país de origem da raça, a máscara negra passou a ser "falta", o que significa que é uma característica indesejável e que numa exposição, quem a tiver, perde pontos. A razão é que a máscara negra não existia no Akita original e veio de raças usadas a partir de l900 para salvá-lo da extinção. A CBKC deu um prazo de tolerância à essa medida até julho de 1995. Uma circular foi enviada aos juízes informando que os cães com máscara negra não poderiam mais receber a qualificação "excelente". Consequentemente, não haverá mais campeões com tal característica. A circular acrescenta que até 1998 eles serão aceitos para reprodução. O presidente da CBKC, Sérgio Castro, informa que não foi definido o critério para impedir que estes cães acasalem a partir da data imposta. "Ainda faltam dois anos, mas até Iá teremos um método", diz. A França, por exemplo, que proíbe acasalar os mascarados desde 1992, analisa o cão adulto e fornece ou não o certificado de apto à reprodução.

Aqui, os criadores já estão evitando reproduzí-los, mas na prática atestam que, de um casal sem máscara, nascem fiIhotes que a tem. É o caso de Vitor Hugo Femandes, do Canil Fushigi-na, de Porto Alegre, RS, que afirma conhecer cães mascarados, vindos de uma linhagem em que só os avós tinham máscara. Soraya também teve uma experiência idêntica. Não se sabe exatamente por quantas gerações a hereditariedade da máscara caminha.

Tendo em vista que no País a maioria dos Akitas é criada nos moldes da FCI, em alguns anos os máscaras negras serão "estranhos no niho". No entanto, Fabio C. Fioravanzi, autor do livro L'Akita, conta que no mundo eles predominam. Nada surpreendente. Os EUA lideram em quantidade a criação e mesmo em países filiados à FCI eles ainda são uma realidade. O que será deles? Só o tempo dirá. A idéia de transformar o Akita criado nos EUA, onde mascarados são bem-vindos, em outra raça, é comentada por criadores em vários países. Mas tudo ainda é informal. Não há um movimento efetivo. Além do mais, para a FCI reconhecer uma nova raça, muita água tem que passar debaixo da ponte. Há dois anos, a entidade divulgou um documento manifestando a problemática de raças similares serem reconhecidas como diferentes, pois reduz-se bruscamente o número de cães de cada uma e tende-se à consangüinidade.

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Ficha:

Compra do filhote: pelos pais prevê-se o tamanho. Máscaras podem sumir até os 7 meses se fios brancos, a partir dos 40 dias, surgirem entre os fios pretos. Os olhos devem ter as pontas próximas ao nariz mais baixas que as outras.

Cor: branca, tigrada, ruiva, sésamo ou gergelim (ruiva intercalada com fios pretos). Todas exceto a branca, devem ter urajiro (pelagem esbranquiçada ao lado do focinho, bochechas, sob o queixo e pescoço, peito, pontas das patas e da cauda e face interior dos membros). O AKC aceita qualquer cor, até manchas brancas que são falha pela FCI.

Banho: certifique-se depois do banho que o subpelo ficou bem seco para evitar dermatites.

Adestramento de ataque: "não levar em conta o temperamento de cão nórdico pode implicar em desvios de conduta", Gervásio.

Akita - Matéria de 1994

Akita: Um jeito único de fazer a guarda
O Akita é uma alternativa eficaz na guarda de qualquer tipo de ambiente. Desconfiado e muito tranqüilo, segundo os criadores ele pode até ser criado em pequenos espaços com sucesso.
Devido ao crescimento vertiginoso da violência, a presença de um cão de guarda é um alívio. Ainda mais se este cão for um Akita, uma raça que, além de limpa e asseada, é ainda discreta e silenciosa.

Provavelmente em virtude dessas características, ele é criado em grandes e pequenos espaços, comportando-se satisfatoriamente até mesmo em apartamentos, pois conquista a simpatia até dos vizinhos.

A raça costuma latir apenas quando pressente algo suspeito. Sua maneira silenciosa é oriunda da cultura nipônica. No Japão (país de origem da raça) antigo as casas eram feitas de madeira e finas folhas de papel de arroz. Assim, qualquer ruído era compartilhado pela vizinhança. Nesse sentido, era fundamental que os animais fizessem pouco barulho para não incomodar os vizinhos. Apreciadores dessa forma silenciosa, os japoneses selecionaram os cães menos barulhentos para aprimorar a raça. A criadora Maria Luiza da Silva Ferrari, do Mara's Kennel (Barretos-SP), conta que teve uma cadela, Bruna, que nunca latiu durante os 8 anos em que viveu. Até os últimos minutos de sua vida, quando sentia fortes dores, Bruna permaneceu calada.

A criadora Maria Elizabeth Dutra Uebe, do Daphine Star Kennel (Belo Horizonte-MG), que cria três Akitas em seu apartamento, diz que seus cães não lhe dão trabalho nem incomodam as pessoas. Ela nunca recebeu uma reclamação. Os vizinhos gostam muito deles. Certa ocasião, um ladrão assaltou um dos apartamentos do prédio de Beth. A notícia se espalhou rapidamente. Curiosamente, antes de Beth saber o que acontecera, sua cadela Daphine já estava fazendo a guarda na porta do apartamento, de modo que não deixava ninguém entrar. Daphine pressentira algo errado no ar. Naquele dia, a cadela acabou ajudando a polícia a seguir a pista do invasor.

Outra herança da cultura oriental é o temperamento reservado. "O Akita dificilmente faz amizade com qualquer pessoa. Mas, depois que seu coração for conquistado, torna-se um amigo para sempre", afirma Maria Luiza. A raça é muito desconfiada com estranhos. Um Akita só recebe bem uma pessoa se seu dono for cordial com ela. Normalmente, demora a se acostumar com desconhecidos. Assim, a aquisição de um exemplar adulto, geralmente, causa alguns problemas. Até o cão aceitar o novo dono, assumirá uma postura distante e fria, sem grandes demonstrações de afeto.Essa reserva se mantém intacta até mesmo diante de situações em que o instinto prevaleceria. O criador Washington Jorge Parente de Oliveira, do Brasil Akita-Ken (São José dos Campos - SP), conta que, certa ocasião, levou seu cão, Butch, para passear no centro comercial da cidade. Lá uma moça ficou encantada com o cão e não tirou mais os olhos dele. O cão também a observava.

Foi daí que ela resolveu dar um pedaço de carne do seu espetinho. E não é que Butch esnobou a oferta e continuou a encará-la! A moça ficou ofendida.

Como todo cão de guarda, o Akita não gosta de estranhos. Ele só os respeita quando estão na companhia de seus donos. Mesmo quando a pessoa lhe é apresentada, o Akita não se tornará seu amigo. A raça não aceita a presença de estranhos em seu território quando o dono está ausente.

Washington afirma que seus cães não gostam de afagos de estranhos, mesmo que sejam amigos seus. Quando isso ocorre, o Akita fecha os olhos em forma de fenda, abaixa as orelhas e o rabo e olha para o dono como se estivesse querendo dizer que não está gostando.

Já com as crianças, seu temperamento é mais brando. Mesmo assim não permite a presença delas em seu território na ausência das pessoas com quem convive e nem gosta que abusem da sua paciência. Solange Brandão Frota, do Canil do Vale Caledônia (Nova Friburgo-RJ) diz que, quando seus filhos estão com os amigos brincando com espadas de plástico, seus cães ficam alertas para se certificar de que não serão machucados. Quando uma criança dá uma espadada na cabeça de um dos filhos da criadora, os cães começam a rosnar. Querem dizer que já está na hora de acabar com a brincadeira.

Mesmo quando filhotes, estes cães são reservados com os desconhecidos. A raça muito cedo já demonstra suas habilidades na guarda. Maria Raquel Malevicz de Vasquez, do Glen Suilag Kennel (Piracicaba-SP), conta que deu um filhote de presente para sua prima, pois seu sítio fora assaltado muitas vezes. Um dia, o cãozinho começou a latir insistentemente. Quando a moça foi verificar, encontrou um rapaz tentando roubar o caminhão de seu pai. Logo que o indivíduo se deparou com o Akita (na época com 7 meses), começou a correr. O cão estava furioso e partira para o ataque.

Amigo do sossego, o Akita não gosta de ser perturbado nem de perturbar. Quando não quer conversa, dá um alerta com um rosnado baixinho. Muito equilibrado, não ataca pessoas ou animais a troco de nada. "Apesar de bravos, os Akitas são cães de boa natureza. Jamais atacam por trás ou sem avisar. Um dia meu Poodle estava amolando um de meus cães, que o advertiu prensando-o com o focinho no chão. Se não tivesse caráter talvez o mataria com apenas uma dentada", conta Maria Raquel.

A extrema fidelidade aos donos aliada à inegável coragem faz com que a raça seja associada à figura do Samurai - guerreiro que servia a um só senhor e por este não hesitava em dar sua própria vida. Esse cão protege seu dono e seu território por amor. Quando há um estranho por perto, ele se coloca imediatamente de prontidão na guarda. Fica observando cada movimento da pessoa, não desviando a atenção por um segundo. Se pressente algo suspeito, dá um latido rouco e baixo, em sinal de advertência. É como se impusesse um limite, o qual não deve ser ultrapassado. Caso a pessoa desrespeite esse limite, ele começa a espumar pela boca, eriça os pêlos e se arma para o ataque.

Durante o trabalho de guarda, o Akita não dorme em serviço. Trabalha essencialmente com a audição e visão. É capaz de detectar a presença de um estranho a muitos metros de distância. Se alguém invade seu território, não sossega enquanto não avisar seu dono, fazendo-o de modo discreto. Graças a esta maneira quieta e eficaz na abordagem de estranhos, existem vários casos em que os assaltantes foram pegos desprevenidos por um Akita, pois não sabiam que havia um cão por perto.

Akita - Matéria de 1979

Akita, o cão de guarda japonês que está fazendo sucesso no Brasil


Vigoroso, capaz de incríveis atos de coragem e demonstrações de afeto, o akita já foi puxador de trenó e até caçador de ursos. Hoje, é o mais popular cão de companhia do Japão, apesar de praticamente desconhecido entre nós. Se você escolhê-lo como amigo, pode contar com seu carinho, dedicação e extrema lealdade, por toda a vida. Veja aqui como ele chegou ao Brasil.
O que você acha de um cão muito valente, extremamente dedicado ao dono, ótimo guardião da casa e que, além de tudo isso, é fofo como um bichinho de pelúcia? Não existe um cão assim? Então é porque você ainda não conhece o akita, um imigrante japonês que viajou milhares de quilômetros para chegar até nós, e que está se adaptando muito bem no Brasil.

Os primeiros exemplares da raça foram trazidos do Japão há apenas cinco anos, pelo canil Bras Dog. A partir daí, a criação do akita se difundiu rapidamente, e hoje existem cerca de trezentas famílias, que têm em casa esse magnífico animal.

UM POUCO DE HISTÓRIA
Os irmãos Massaro e Katsu Sassaki, proprietários do Canil Minguei, especializado na criação do akita, contam com entusiasmo que a raça existe há mais de trezentos anos no Japão. "É um animal originário do Norte do Japão, a área mais fria do país. Antigamente ele era usado para caçar ursos e puxar trenós. Depois transformou-se no mais popular cão de guarda das famílias japonesas". No Japão, a briga de cães é um esporte bastante apreciado. por seu porte físico e grande coragem, o akita foi experimentado nesse tipo de competição, mas revelou-se incapaz para a prática do bárbaro espetáculo.

Na verdade, apesar de feroz com os intrusos, o akita é um cão de ótima índole, sendo excelente companheiro de toda a família, inclusive das crianças. Um cão com tal temperamento seria incapaz de servir para batalhas campais com seus irmãos.

EXEMPLO DE DEDICAÇÃO
Massaro e Katsu Sassaki, que já ganharam vários prêmios em exposições com o akita, colecionam revistas japonesas que falam dos feitos da raça em seu país de origem. Masaro, o mais moço, conta que está tratando da importação de um macho do Japão para cruzar com a cadela Wadashime of Brasdog, de 30 meses, detentora do título de campeã, "para melhorar a qualidade do akita no Brasil". E seu irmão mais velho, Katsu, traduz de uma revista japonesa, uma comovente história: "Havia em Tóquio um professor que possuía um cão da raça akita. Todo dia o cachorro ia com seu dono até a estação de trem, esperava que ele embarcasse e depois voltava sozinho para casa. Um dia o professor faleceu no trabalho e seu fiel companheiro não pôde mais revê-lo. Durante nove anos, enquanto viveu, o cachorro continuou indo, diariamente, à hora certa, até a estação do trem, como seu dono o havia habituado". Acaba o relato sem fazer comentários. Apenas afaga a cabeça da cadela Wadashime, que está deitada a seus pés.

UM ANIMAL ESPLÊNDIDO
Dotado de porte majestoso, aparentando grande força física sem ser pesado, com uns olhos rasgados e cauda em semi-círculo que o tornam semelhante ao malamute do Alaska, o akita é um cão tranquilo, que late pouco, mas se mostra sempre alerta no momento necessário. Segundo Katsu Sassaki, no Japão, muitas mães deixam seus bebês no berço enquanto vão às compras ou mesmo para o trabalho e o akita toma conta deles como uma babá eficiente. Esta aparente placidez se tranforma por completo quando se trata de defender a propriedade do dono. Com estranhos, o akita é um cão de guarda implacável, que chega sem fazer barulho e ataca na hora certa. Aí, seu porte físico (40 quilos para a fêmea, 45 para o macho), agilidade e coragem se tornam armas eficientes. Quem se atrever a enfrentá-lo corre sérios riscos.

Como ressalta Massaro Sassaki é um animal dotado de grande inteligência e sensibilidade. É fácil e importante adestrá-lo, pois assimila o treinamento com rapidez e fica um cão controlado, obediente, que só atacará quando receber ordens para isso.


ADAPTAÇÃO PERFEITA
Apesar de ter pelagem abundante como todo cão de clima frio, o akita está se adaptando muito bem às temperaturas do Brasil. Além disso, como destacam Massaro e Katsu, é um animal forte, resistente a doenças, que dispensa corte de orelhas , cauda e até mesmo do pelo. Este precisa apenas ser escovado regularmente. Quanto à alimentação, o akita come arroz, legumes e pedacinhos de carne, e aceita muito bem ração. É menos guloso que um pastor alemão, por exemplo, que tem mais ou menos o mesmo porte, O pelo pode ser preto, branco, vermelho tigrado, porém sua marca registrada são as patas, sempre brancas nos bons exemplares da raça